quinta-feira, janeiro 12, 2006
O Aceno.
Encostada ás ruas íngremes da velha Lisboa, subtraída dos males cosmopolitas, acenaste-lhe e ele não soube decifrar. Garantes que as dúvidas permaneçam. Fazes por isso. A crueldade é falar-lhe em subtis vogais presas a nada. Há proximidade que não se repercute na dissipação das questões. E aí é que magoa. Na leveza do gesto. Um aceno de afastamento.
Tempo de renovação número dois e um imbecil a dizer que não
Alguém dizia no outro dia que os blogs são uma inutilidade, maioritariamente desabafos ligeiros de pessoas que se autodenominam escritores. Mais. Esse alguém transmitiu também que o blog era uma necessidade presente de afirmação dos êxitos e decepções de quem o escreve. Como se agora todos soubessem escrever, todos tivessem algo a dizer ao mundo, tipo: eu existo.
Claro que pior que achar ter tema de conversa para um recém-nascido programa formato noite-da-má-lingua (mas mau), foi dizer que os blogs entopem os googles e companhia nas suas buscas internetianas como momento de importância inabalável para a continuidade da sua mente realmente interessante e produtiva do país, criativo diz-se ele.
Todos reclamam atenção. Nesse dito e não afamado programa o citado interlocutor não faz menos do que acusa aos bloguers (ou à sua maioria).
a continuar...(hora de almoço)
Claro que pior que achar ter tema de conversa para um recém-nascido programa formato noite-da-má-lingua (mas mau), foi dizer que os blogs entopem os googles e companhia nas suas buscas internetianas como momento de importância inabalável para a continuidade da sua mente realmente interessante e produtiva do país, criativo diz-se ele.
Todos reclamam atenção. Nesse dito e não afamado programa o citado interlocutor não faz menos do que acusa aos bloguers (ou à sua maioria).
a continuar...(hora de almoço)
sábado, janeiro 07, 2006
Perdido na tradução.
Talvez me vá repetir. Não me importo.
Começo a achar que o filme da sofia coppola é um ponto assente no panorama do cinema actual.
Não me canso de o ver.
É prioritariamente subtil.
Não cai em lugares comuns.
Subsiste com poucos personagens.
Com poucos diálogos.
Dá primazia aos longos silêncios.
A uma banda sonora irrepreensível.
Vive de reflexos, sombras ;apela aos sentidos.
As piadas.
As graçolas.
Os momentos hilariantes no confronto com uma nova cultura.
Retrata bem a distância dos dois.
O desconforto.
Sublinha a necessidade de aproximação sem se ter que questionar.
Mais uma vez os sons, os distorcidos; a câmara anda distintamente com o ruído ou, noutro patamar, com a música.
O fazer esquecer filmes mais antigos do Bill Murray e a sua fácil conotação com filmes de comédia.
Blá blá blá
Começo a achar que o filme da sofia coppola é um ponto assente no panorama do cinema actual.
Não me canso de o ver.
É prioritariamente subtil.
Não cai em lugares comuns.
Subsiste com poucos personagens.
Com poucos diálogos.
Dá primazia aos longos silêncios.
A uma banda sonora irrepreensível.
Vive de reflexos, sombras ;apela aos sentidos.
As piadas.
As graçolas.
Os momentos hilariantes no confronto com uma nova cultura.
Retrata bem a distância dos dois.
O desconforto.
Sublinha a necessidade de aproximação sem se ter que questionar.
Mais uma vez os sons, os distorcidos; a câmara anda distintamente com o ruído ou, noutro patamar, com a música.
O fazer esquecer filmes mais antigos do Bill Murray e a sua fácil conotação com filmes de comédia.
Blá blá blá
sexta-feira, janeiro 06, 2006
frases cinéfilas
"you can´t handle the truth"
jack nicholson
Estava aqui a ver um documentário na dois sobre o actor quando mencionam esta frase como das mais carismáticas dos anos 90 relativamente a diálogos de cinema.
Acho que o jack tem provavelmente das melhores capacidades para fazer qualquer tipo de filme.
Aliás, j o fez. Acção, terror, film-noir, western´s, suspense, drama...tudo.
Genial. estranho mas genial!
Para genial eu diria (e como acaba no programa) :
"here´s johnny!"
jack nicholson
Estava aqui a ver um documentário na dois sobre o actor quando mencionam esta frase como das mais carismáticas dos anos 90 relativamente a diálogos de cinema.
Acho que o jack tem provavelmente das melhores capacidades para fazer qualquer tipo de filme.
Aliás, j o fez. Acção, terror, film-noir, western´s, suspense, drama...tudo.
Genial. estranho mas genial!
Para genial eu diria (e como acaba no programa) :
"here´s johnny!"
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Costura dos sentimentos aula um
simples paixão
1. Definição da dor, auscultar
2. identificação da região extra-corpórea, marcar
3. Bisturi, incisão pré-estudada; cortar
4. Eliminação da raiz designada, macerar
5. cerzir com acuidade sem deixar rasto, limpar
fim da operação um
1. Definição da dor, auscultar
2. identificação da região extra-corpórea, marcar
3. Bisturi, incisão pré-estudada; cortar
4. Eliminação da raiz designada, macerar
5. cerzir com acuidade sem deixar rasto, limpar
fim da operação um
dois
Onde a terra se aquietou sob o gelo
os rios da fala suspenderam
o infindável movimento para a noite
da minha imobilidade cresce o sussurro:
é inalcançável o sossego
quando se decidiu viver sozinho(...)
(...) Fechámos porta do corpo para sempre
e sobre o gume da navalha deixámos insinuar-se
o pulso ausente
na maresia das aquáticas palavras
que me afastam e lavam de ti.
a lberto
os rios da fala suspenderam
o infindável movimento para a noite
da minha imobilidade cresce o sussurro:
é inalcançável o sossego
quando se decidiu viver sozinho(...)
(...) Fechámos porta do corpo para sempre
e sobre o gume da navalha deixámos insinuar-se
o pulso ausente
na maresia das aquáticas palavras
que me afastam e lavam de ti.
a lberto
domingo, janeiro 01, 2006
Trabalhos do olhar
Depois do jantar
as mulheres falam muito
os homens estão quase sempre calados
atentos
perseguem-nas com olhares ternos
os dedos movendo-se hesitantes em redor dos copos
elas falam sem cessar riem
perdem fôlego comem bolos
voltam a rir cada vez mais forte
bebem anis sabendo que os homens as observam
silenciosos amam-nas furtivamente no escuro das casas
importando-se pouco que elas se embriaguem
devagar
as mulheres falam muito
têm o riso arguto nos lábios acesos pelo anis
sempre que os homens as desejam
noite adiante...calados
al berto o medo
as mulheres falam muito
os homens estão quase sempre calados
atentos
perseguem-nas com olhares ternos
os dedos movendo-se hesitantes em redor dos copos
elas falam sem cessar riem
perdem fôlego comem bolos
voltam a rir cada vez mais forte
bebem anis sabendo que os homens as observam
silenciosos amam-nas furtivamente no escuro das casas
importando-se pouco que elas se embriaguem
devagar
as mulheres falam muito
têm o riso arguto nos lábios acesos pelo anis
sempre que os homens as desejam
noite adiante...calados
al berto o medo
Passagem de ano ou Reveillon?
Um copo derrubado, um partido, um derramado, um curto-circuito, a consequente falta de luz, um arroz de pato duvidoso, um salmão fumado solitário, o pudim fantástico, a aletria terrível e sei-lá-mais-o-quê, as histórias antigas, o noddy no seu carro amarelo e nós a abrir as alas, oito em torno de uma mesa, um falso pictonary, uma caneta preta a vermelha e dois lápis, balões voadores causadores de distúrbios, a dona rosa de 150 anos a fazer striptease; definitivamente uma passagem de ano!
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