quarta-feira, setembro 06, 2006
Entardecer
que um renque de velhas árvores lhe sustém;
tu olhas: e de ti separam-se as terras,
uma que sobe ao céu e a outra que se despenha;
e deixam-te, a ti que a nenhuma pertences,
nem tão escuro como a casa silenciosa
nem tão seguro evocando a eternidade
como a que todas as noites se torna astro ascende -
e deixam-te (indizível de desenredar)
a tua vida inquieta, imensa e amadurecendo,
para que, ora confinada, ora compreensiva,
em ti se torne ora pedra ora estrela.
Rilke
Desonesto?
Mas há muitos que eu conheço,
Que, sem parecer o que são,
São aquilo que eu pareço
A. Aleixo
Via laietana
e aqueles dez anos de vida e de olhar que impressionam
A velha Catedral
o bairro que procurei era gótico
ruelas estreitas
pessoas estranhas e as outras
sobre ela saiem ínfimos braços
tentáculos marginais
as estreitas
os estranhos
e depois os outros
Via de manifestações
e os outros
Sobre elas turistas atentos
e os outros
Roubos
os marginais
e depois os outros
Ramblas apertadas
encerram-se por um mar
atravessada pela diagonal
e por um passeio engraçado
temos tapiés
mas vive-se de gaudi
à esquerda
e depois à direita
mais à direita ainda
endireitados olhamos para cima
para uma catedral apertada por um exaimple
e então logo depois
mais adiante
um parque suspenso
um olhar sobre a cidade
Montjuic imortal ao encostado Miró
Exaimple bem desenhado
A elegância da Catedral de Gaudí
Uma torre isolada e mais duas.
outra vez o mar e o novo.
Acho que saberia viver aqui.
autocarro psicadélico
Decidi ir espairecer a cabeça.
Decidi não aparecer.
Encontar um lugar de repouso onde me pousasse e deixasse ficar. Saí sobre uns pés desconhecidos, desgastados talvez. Hoje saíste à rua pela segunda tentativa e meia; assim como ontem teria sido a tua penúltima se não fosses teimosa. São imagens que produzes.
Eu viajo.
Prometes-te sempre que decidirás o interessante da tua vida, alcançar cedo a leveza e o descanso, para recortar e então cerzir os medos dos outros.
Subtilmente entornei os meus pés por essas vidas que são de outros. Aquela cidade chamava-te a todo o instante. As luzes psicadélicas que são sempre assim. E só da primeira foram estranhas. Agora são só sempre as mesmas. Agora são só mesmo as mesmas. Todos os momentos que reflectia surgia a ideia de uma cidade leve mas ela de leveza tinha tão pouco que assustava. Iludir-me com esta urbe seria dizer mentira e distintamente sumptuosa, livre de amargura.
Descalçei-me.
Pus-me à vontade, dizia eu: mais leve.
Os temores não se descalçam por mais que tentasse, por mais botas e sapatos que descalçasse os outros não se faziam acompanhar e permaneciam; pungentes.
Fugi porque queria ser livre. E agora, em dor, voltar é matar-me à frente dos outros. É mostrar as impressões de um crime.
Arrumei os sapatos à porta de casa como os ingleses, percorri os tacos de madeira com a planta do pé, sentindo-os pelas suas imperfeições. Levei-me até ao escritório onde adormeci a ver as luzes exteriores por entre o grande vão que irrompia por dentro da cidade. A linha perfeita, o contorno daquela cidade abunda-me e percorre-me. Sortudos são aqueles que a obtêm sem ter que pedir. E eu pedi esta cidade.
Quis vir para cá quando estudava psicologia em Lisboa. E este autocarro de dois andares levou-me para longe.
Insulto-me diariamente e nem por isso abro a boca. Tudo corre por dentro.
Sobra-me o autocarro que me leva a um destino indefinido. Escuso-me de tentar escolhê-los, eles são mesmo sobrantes, tal como o autocarro que me carrega. Sobre o seu dorso traz também roupas antigas, sapatos usados, e dores presentes.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Munique
Os disparos tracejantes sustém o temor
sujas as botas que decalcam sangue fibroso
pelo chão
e depois intercalando com a parede
são suaves salpicos condenados
e outra vez o chão
atafulhadas farpas de madeira e estilhaços que encorpam aquele piso
fazem-se ouvir como pancadas vibrantes e que cintilam no ouvido
vincam e aguçam corpos indiferenciados
São corpos sem amanhã
(...)
As meias ilusórias que vos tapam
são vãos escancarados aos vossos tormentos
Os tumultos fazem-se ouvir sobre o som bélico do mapa mundo
os túmulos contados são também valas comuns
por cápsulas sucubem
em cápsulas desvanecem
Não há razão em Munique
(...)
aos distintos privilegiados
sobra a terra restante que detém e trava o conflito
distantes
vivemos
domingo, agosto 27, 2006
Água pesada
Pactos como se se tratasse de paz?
Um sem número de processos incamuflados como uma receita de culinária?
Uma complexidade de artimanhas como o jogo do esconde-esconde?
Um complexo tecnológico visto da lua como a outra muralha?
Líderes de países faz-de-conta como o nosso?
Musculatura bélica e atómica como um vestido novo por estrear?
Plutónio como...plutónio.
terça-feira, agosto 15, 2006
sexta-feira, agosto 11, 2006
Quarenta e sete contra trinta
Mas que bem que John mcnroe se bateu contra um "miúdo" com menos 17 anos!
Impressionante, é a única palavra que encontro.
O jogo está a decorrer e já está mais que decidido mas, para mim, o vencido é mesmo outro!
Oxalá que todas as pessoas com 47 anos praticassem um pouco de desporto, já nem digo fazer o que ele está a fazer, a correr atrás da bola que nem um rapaz de 20 anos, é de doidos! Acho que fica um exemplo de espírito de vida, apesar das brigas e do mau génio, quem se portou mal foi o Chileno que aos poucos foi tentando gozar com o adversário; por vezes só tentou mesmo.
Fantástico.
