sábado, agosto 23, 2008

Milan Kundera

Há muitos escritores importantes e que me ajudaram sempre quando precisei, há uns mais metódicos, uns mais simples, há os que são sábios. Não gosto de escritores complicados, gosto sim dos escritores que pensam e digam em tão poucas linhas coisas difíceis de escrever mas fáceis de entender. O Kundera tem esta faceta de nos encantar com frases muito simples, em histórias cheias de profundidade.
Acho que me falta ler um ou outro livro, mas o que sinto é que a cada momento posso encontrar parágrafos eternos, ou, simplesmente, frases memoráveis.
No meio da "Imortalidade" descobri: " Solidão é a doce ausência de olhares".

desenhos pequeninos...

segunda-feira, agosto 11, 2008

sábado, agosto 09, 2008

Menino de areia

Ontem fui falar ao menino de areia. Ontem, no desequilíbrio do sol, o fim da tarde, usei a vestimenta que não é usual e quis vestir-me de sol e de areia, quis fazer aquilo que ainda não tinha feito este ano, quis esperar e aguardar-te, mas não foi possível...
Já te tinha visitado mas não te tinha tocado, nem falado contigo.
Debaixo de águas que não as de mar nem oceano fui falar com o menino que vive por dentro da areia, não de uma areia qualquer, aquela areia.
O menino não se apercebeu da minha chegada, sentiu-me incompleto e não me quis visitar. - És tu? Como podes ser tu se vens só? perguntou o menino de Areia na sua fala granulada. - Não sabia se estarias por aqui, não sabia se me abririas a porta mesmo só a metade de mim. Respondi eu de cara rebaixada e nó na fala. - Hoje o mar está arisco. Não te atrevas a entrar, sim? Conta as ondas e deixa-o acalmar... Sabes, o mar chega a todo o lado, toca-me mas também chega a outras praias. Eu conheço-o muito bem, e sei o porquê da sua força, mas o mar serena, vais ver... Disse o pequeno menino de pequenos grãos de areia. - Mas não foi isso que vim saber!...Menino de Areia? Menino? Estás aí?Assim que acabei estas palavras soltou-se um leve vento que trouxe um sombreado de areia rasteiro às dunas da praia. Era ele a responder sem eu ter perguntado alguma coisa. Era um exército de areia feito de mil milhões de grãos levantados que me cobriram. - Obrigado por me teres abraçado, menino de areia. Obrigado por estares sempre aqui. Disse, fechando os olhos ao vento. Debruçado sobre a areia, debruçado sobre ti, a minha sombra foi ficando maior, foi ficando gigante e eu pequenino. O sol desceu para me olhar nos olhos, o volume do mar cantou, as saudades trouxeram castelos de areia feitos por nós à beira de um menino atento aos barcos do mar, as velhas barcaças do Tejo, às cores dos nossos sonhos e aos sorriso de meninos que juntos embandeiramos ao vento sem querer.
Despedi-me e prometi voltar, estendi a palma da mão sobre ti, menino que tocas o mar, e desenhei sobre a memória do teu rosto, a forma do teu sorriso, o teu sabor. O sol abriu sombras e guardou esses sorrisos, disse-me adeus. Até amanhã sol...

terça-feira, agosto 05, 2008

"Coragem".

Sempre tive uma fobia, sempre achei que não fazia muito mal, passo a explicar. Desde pequenino que faço digestão para tudo mais um-par-de-botas, bem, mas hoje decidi ganhar coragem e enfrentar o fantasma. Esta leve "paranóia" tinha que acabar, já não fazia muito sentido, hoje decidi que era o dia.
Lanchei, a coisa não foi propriamente leve, mesmo segundo os meus padrões; passado algum tempo meti-me debaixo de água a uma temperatura razoável e enfrentei o papão de caras. Pimbas, já estava, agora nada a fazer. Nada! Não aconteceu verdadeiramente nada! Não houve uma mutação, uma transformação, má disposição...nada! Não fiquei nem azul, nem verde, nem de outra cor estranha. Não virei peixe nem monstro!
Há pessoas que acordam e escolhem fazer as 10 coisas mais estranhas que lhes passa pela cabeça.
Eu decidi acabar com uma coisa estranha, mas só para a minha cabeça claro está.
Não há nada como enfrentar os medos com a "coragem" de quem tem , de facto, medo.
um pequeno passo...que é sempre o maior.

p.s... Tendo em conta que tenho 27 anos, e a esta velocidade, quando tiver 90 anos ganho coragem e salto de um Avião (com pará-quedas óbvio, tenho esse medo mas também não sou parvo)

p.s...2 Bem, com 90 anos a minha memória também já não deve estar grande coisa...portanto ainda me esqueço de o pôr...ou então, segundo a minha teoria optimista, os meus defeitos melhoram com o emadurecimento, ao contrário do comum dos mortais...