Hoje fiz uma jornada diferente, fui com uma pessoa muito especial que está sempre ao meu lado mesmo quando eu acho que não, foi muito divertido e sobretudo interessante. Hoje lembrei-me de várias coisas que que já gostaria de ter feito, mas como tudo, o tempo nestas coisas desacerta-se e acerta-se constantemente por um relógio escorregadio, mas tudo se encaixa, e lá fomos...
Decidimos ver a exposição do Arquitecto Peter Zumthor, melhor, do Mestre Peter Zumthor.
Poética...para mim não há projectos sem poética.
Bem, como se não bastasse e não fosse eu, João, o próprio do despassarado, lá fomos de encontro à Lx Factory perto do Calvário, estacionei a milhas, para variar, e lá fomos radiantes da vida. Eis que ao longe o cartaz indicava que a exposição só começa amanhã...-raios! Será que tenho que passar a confirmar duas vezes?...lá pensei e cheguei à conclusão que afinal hoje era apenas a conferência com o senhor que já está mega esgotada há meses! Enfim, mas como nada está perdido, e esta cidade tem sempre algo para oferecer, lembrámo-nos de passar ao Plano B! CCB. Fomos ver uma exposição que nos tinha passado a inauguração da última segunda-feira. Desenhos para Escritores, é assim que se chama esta exposição.
Desde Novembro do ultimo ano que não perco uma exposição temporária aqui no CCB... Mas também não foram muitas confesso! À partida esperava a presença da Ana Hatherly, do Almada Negreiros, Cesariny, etc... o clã Português de escritores/pintores...mas foi mais surpreendente!
A exposição começou logo com um problema! Falta de luz!!! Bem, Não se via assim grande coisa, parecia luz de velar mortos! Lá perguntei à rapariga que monotorizava e lá me respondeu que tinha que ser assim para não estragar os desenhos além de evidenciar os infractores das flashadas! ok, satisfeita a curiosidade lá começámos...
Havia desenhos de todos os tipos, uns muito pintados, uns muito riscados, outros só feitos com linha, como se de um Siza se tratasse, outros ainda pintados como se tivessem saídos das mãos de uma criança, outros directamente com pés de alguém; Era o que nos diziam na Cadeira de Projecto do Curso.
No fundo havia desenhos de nus, de velhos, de cenários, desenhos coloridos e apaixonantes, desenhos sonhadores, desenhos de quem escreve...
Destes fixei alguns nomes...(escrito nas costas de um talão Multibanco)
Charles Cross
Jean Cocteau
Max Jacob
Adré Breton
Léonora Carrington
Ghérasim Luca
Kurt Schnifters
Ana Hatherly
Tadeusz Kantor
Gunter Grass ( sabiam que este senhor, prémio Nobel, desenha que se farta? Daria um fantástico Naturalista! Fiquei de boca aberta.
A sério...vejam que merece a viagem...e claro depois ver mais um bocadinho da exposição Residente que está sempre em constante transformação.
Bem mas como em tudo, também tínhamos um plano C... lá fomos nós para o outro lado da linha em direcção a Oriente...Olha até foi mesmo!
Bienne, metidos no meu "preto-arranjado-e-como-novo" lá fomos visitar a Fundação Oriente num edifício Recuperado e Projecto pelo Arq.to João Luís Carrilho da Graça.
Outra grande descoberta e disso não restou a menor dúvida. O museu é extenso e muito bem composto! Viajamos por Objectos e por países... China, Japão, Tibete, Malásia, Timor, Indonésia, Coreia, Sirilanka, India, etc...
Fiquei deslumbrado com as máscaras da India e do Japão. As máscaras na sua maioria eram dedicadas ao culto e à devoção a um deus, mas também há o Teatro e outras celebrações.
Depois foram os biombos do Japão mais uma vez, depois uma colecção de frascos para guardar comprimidos que mais pareciam frascos de perfume! Mas todos diferentes, cada um com uma história por ser contada...
As cores, as texturas, a dedicação, o detalhe. Às tantas disse, falei pensando: Fantástico...
A cultura Oriental tem outra devoção, e esta exposição teve o condão de sublinhar o fascínio que tenho por ela.
Esta é imperdível, o espaço em si também é bom, primoroso, apesar de ser demasiado escuro às tantas...mas calma, não é precisa levar uma lanterna!
Por entre contadores, juncos de prata japoneses, armaduras de Samurais e Shoguns, tapetes, loiças, pinturas, leques... a colecção de máscaras era simplesmente divinal.
Foi uma tarde bem passada...a repetir, foi só pena a minha despassarice, mas como quase tudo na vida tem solução, ninguém ficou triste!
sábado, setembro 06, 2008
domingo, agosto 31, 2008
Papel, lápis de cor, viola e eu
São músicas que nunca saem iguais, são sons tocados e que escrevem o momento, são desenhos e mais desenhos feitos num bloco granulado quase por estrear, são histórias para escrever, são albuns por finalizar, são momentos meus.
sábado, agosto 30, 2008
Passado Lembrado
Resolvidos os passados peçonhentos, demito-me na retenção de memórias. Hoje dobrei o lençol da minha cama como nunca o tinha feito. Fi-lo ainda assim como alguma estranheza, a falta desse hábito era mais que evidente; levantei-me distintamente e ao debruçar-me percebi que tinhas ficado. Fitavas-me com olhares perigosos enquanto o debrum do lençol desenhava o teu corpo incansável. Permaneceste porque só eu achei que não tinhas lugar naquela casa arrendada, meio perdida por entre paredes sub-urbanas. Era um casco cheio de falhas amparadas pela vontade do pouco dinheiro que abundava na minha carteira. Senti-lhe o fundo. Lembrei-me que já nem carteira tenho visto que a penhorei naquela ruela por detrás do antigo bairro onde morei. Ela percebe que eu temo que um dia vá embora, como todas as outras fizeram, porque eu sempre quis. Eu temo que ela um dia não apareça; medo de um dia querer. Quero antecipar-lhe a decisão. Talvez não me marterize tanto, penso eu. O facto é que a encontro nas esquinas, nas dobras da casa, encruzilhadas, pelas fotografias preto e branco , pelo seu odor a cores, sem perfume, na roupa espalhada pelo chão que se solta em tábuas. Percorres as poucas divisões; entalada por corredores exíguos e tortuosos. A casa és tu.
Hoje coleccionei mais uma aproximação do que és para mim. Dás-me coragem; no entanto, distancio-me. Detive-me diante do café central e ousei entrar, sentar-me e sonhar uma vida.
Hoje até comprei o jornal do dia, pedi o melhor pão e o café afinal era tão ou mais delicioso do que era falado por aí. Olhar aquele grão bruto e castanho que enfeitava a frente da prateleira superior era um luxo. "Cafés do mundo", dizia. O central era uma sala esplendorosa no centro da cidade onde poucos entravam, nem percebi que era olhado de lado e com desprezo, apenas entrei. Não cheguei a diferenciar-me. Ninguém naquele dia poria-me fora dali. Eu podia ser pobre, podia até estar longe da aparência necessária mas, ali, eu fui sublime. Por momentos quis acreditar que era um frequentador assíduo, não só não o era, como seria o último em que entrava assim com tanta destreza.
Isto porque quero ver-me livre das memórias que me angustiam, estes carimbos de vida que me percorrem a visão por dentro e que eu não preciso. A devassidão que impregna a minha vida prometia acabar. O meu corpo desistirá à próxima tentativa de libertinagem. A dor física sobrepõe-se à outra, sem pena. Não posso submeter-me a tal vexame. Ela que dirá?
Diluído a um rabisco de exemplo, por não ter dado a mínima luta a esta sociedade destrutiva, resolvi deixá-las sob
um vermelho intenso e distorcido da estação de combóios a oriente, na fila dos não lembrados. Parto sem bela nem casco. Vou, mais uma vez, por dentro de memórias vastas.
E eu a tentar rasurá-las por fora.
Escrito e publicado por mim no dia 29 de maio de 2006
Hoje coleccionei mais uma aproximação do que és para mim. Dás-me coragem; no entanto, distancio-me. Detive-me diante do café central e ousei entrar, sentar-me e sonhar uma vida.
Hoje até comprei o jornal do dia, pedi o melhor pão e o café afinal era tão ou mais delicioso do que era falado por aí. Olhar aquele grão bruto e castanho que enfeitava a frente da prateleira superior era um luxo. "Cafés do mundo", dizia. O central era uma sala esplendorosa no centro da cidade onde poucos entravam, nem percebi que era olhado de lado e com desprezo, apenas entrei. Não cheguei a diferenciar-me. Ninguém naquele dia poria-me fora dali. Eu podia ser pobre, podia até estar longe da aparência necessária mas, ali, eu fui sublime. Por momentos quis acreditar que era um frequentador assíduo, não só não o era, como seria o último em que entrava assim com tanta destreza.
Isto porque quero ver-me livre das memórias que me angustiam, estes carimbos de vida que me percorrem a visão por dentro e que eu não preciso. A devassidão que impregna a minha vida prometia acabar. O meu corpo desistirá à próxima tentativa de libertinagem. A dor física sobrepõe-se à outra, sem pena. Não posso submeter-me a tal vexame. Ela que dirá?
Diluído a um rabisco de exemplo, por não ter dado a mínima luta a esta sociedade destrutiva, resolvi deixá-las sob
um vermelho intenso e distorcido da estação de combóios a oriente, na fila dos não lembrados. Parto sem bela nem casco. Vou, mais uma vez, por dentro de memórias vastas.
E eu a tentar rasurá-las por fora.
Escrito e publicado por mim no dia 29 de maio de 2006
sexta-feira, agosto 29, 2008
quinta-feira, agosto 28, 2008
Um lugar especial...
Ontem descobri, procurei, o que for, um espaço muito divertido por aí, algures. Arrisco-me a dizer que terá sido um dos mais criativos que encontrei até hoje. Bem também não sou muito de andar sempre a procurar coisas novas, novos blogs, novos sites, etc... Mas de vez em quando procuro autores que me façam "clic" e lá vou eu à procura de uma origem, um rasto...
A facilidade que é encontrar tudo sobre alguém, actualmente, é tremenda e um pouco assustadora também, confesso, acha-se tudo à primeira! - Como é que se chama aquela moça dos livros e ilustrações giras? uhm...deixa cá ver... uhm..ah, cá está! Rebecca Dautremer! Isto mesmo..deixa cá ver se ela tem um site...Puft...à primeira! Cá está... www.rebeccadautremer.com .
Não há dúvida que o talento é imenso que os desenhos são mais que expressivos, e que as cores dão encanto e tacto às histórias. São no fundo histórias para crianças com desenhos de encantar qualquer pessoa, qualquer idade. A primeira vez que vi estes desenhos fiz questão de os trazer para casa e decidi dar a alguém muito especial. Foi paixão à primeira vista, ao primeiro virar de página, o livro era de facto muito bom! Com o passar do tempo surgiram novos livros editados pela Editora Educação Nacional e, também , com o passar do tempo, vou descobrindo coisas novas em cada desenho, em cada pormenor; Os detalhes são tantos mas tão bem distribuídos e cada um com muito significado e intenção, que nada parecer ter sido ao acaso. A técnica destes desenhos é única e também ela especial, na verdade não sei se saberei identificar todos os media utilizados...
Reconheço os lápis de aguarela, os lápis à prova de água, o lápis grafite, a lapiseira, etc...
No fundo não interessa muito saber o que o compõe, mas sim, apenas vê-los e senti-los...
Ontem comprei um dos livros publicados em Portugal: Nasredin.
No site da Editora escreveu-se:
Nasredin de Odile Weulersse, Rébecca Dautremer (ilustrador) foi eleito um dos melhores de 2007 pela Casa da Leitura 2007.
Versão árabe da narrativa tradicional portuguesa “O Velho, o Rapaz e o Burro”, Nasredin destaca-se, para além da revisitação do universo oriental, com os seus costumes, as suas paisagens e as particularidades da sua cultura, pela excepcional qualidade das suas ilustrações que, de forma muito clara e particularmente poética e afectiva, recriam o universo cultural que suporta a intriga, para além dos laços afectivos existentes entre os protagonistas. Com recurso a uma técnica muito apurada, a ilustradora recria com cor local e com marcas de exotismo um cenário cheio de referências espaciais, com especial atenção para o tratamento de elementos como a luz e a sombra, os reflexos e espelhamentos, sugestões de movimento, noções de perspectiva, entre outros. Para ler e reler, para observar e saborear, este livro é a prova de que as tradições não são exclusivas de países, culturas ou línguas e que unem civilizações
na parte posterior do Livro lê-se:
Nasredin tem um problema:
Faça o que fizer, as pessoas riem-se dele.
A quem deve dar ouvidos?
Ao grão-vizir? Às lavadeiras?
Ao grupo de anciãos? Às crianças da aldeia?
A menos que seja ao meu pai, o sábio Mustafá...
A facilidade que é encontrar tudo sobre alguém, actualmente, é tremenda e um pouco assustadora também, confesso, acha-se tudo à primeira! - Como é que se chama aquela moça dos livros e ilustrações giras? uhm...deixa cá ver... uhm..ah, cá está! Rebecca Dautremer! Isto mesmo..deixa cá ver se ela tem um site...Puft...à primeira! Cá está... www.rebeccadautremer.com .
Não há dúvida que o talento é imenso que os desenhos são mais que expressivos, e que as cores dão encanto e tacto às histórias. São no fundo histórias para crianças com desenhos de encantar qualquer pessoa, qualquer idade. A primeira vez que vi estes desenhos fiz questão de os trazer para casa e decidi dar a alguém muito especial. Foi paixão à primeira vista, ao primeiro virar de página, o livro era de facto muito bom! Com o passar do tempo surgiram novos livros editados pela Editora Educação Nacional e, também , com o passar do tempo, vou descobrindo coisas novas em cada desenho, em cada pormenor; Os detalhes são tantos mas tão bem distribuídos e cada um com muito significado e intenção, que nada parecer ter sido ao acaso. A técnica destes desenhos é única e também ela especial, na verdade não sei se saberei identificar todos os media utilizados...
Reconheço os lápis de aguarela, os lápis à prova de água, o lápis grafite, a lapiseira, etc...
No fundo não interessa muito saber o que o compõe, mas sim, apenas vê-los e senti-los...
Ontem comprei um dos livros publicados em Portugal: Nasredin.
No site da Editora escreveu-se:
Nasredin de Odile Weulersse, Rébecca Dautremer (ilustrador) foi eleito um dos melhores de 2007 pela Casa da Leitura 2007.
Versão árabe da narrativa tradicional portuguesa “O Velho, o Rapaz e o Burro”, Nasredin destaca-se, para além da revisitação do universo oriental, com os seus costumes, as suas paisagens e as particularidades da sua cultura, pela excepcional qualidade das suas ilustrações que, de forma muito clara e particularmente poética e afectiva, recriam o universo cultural que suporta a intriga, para além dos laços afectivos existentes entre os protagonistas. Com recurso a uma técnica muito apurada, a ilustradora recria com cor local e com marcas de exotismo um cenário cheio de referências espaciais, com especial atenção para o tratamento de elementos como a luz e a sombra, os reflexos e espelhamentos, sugestões de movimento, noções de perspectiva, entre outros. Para ler e reler, para observar e saborear, este livro é a prova de que as tradições não são exclusivas de países, culturas ou línguas e que unem civilizações
na parte posterior do Livro lê-se:
Nasredin tem um problema:
Faça o que fizer, as pessoas riem-se dele.
A quem deve dar ouvidos?
Ao grão-vizir? Às lavadeiras?
Ao grupo de anciãos? Às crianças da aldeia?
A menos que seja ao meu pai, o sábio Mustafá...
quarta-feira, agosto 27, 2008
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