sábado, outubro 18, 2008

Trabalho para casa número um...



















Este desafio consistia em fazer o mesmo quadrado com um dos animais escolhidos, mas em várias posições e situações. Eu sei que ainda não preenchi o quadrado todo mas hei-de acabar...
Está meio exercício feito...é que a coisa não é fácil!
Vou voltar para o meu estirador improvisado...a desenhar burros!

Aula um e meio...



















A nossa primeira e verdadeira aula começou na passada Terça-feira.
Claro que eu não poderia deixar de ser Eu e chegar um bocado atrasado...
Mas foram só 5 minutos, nada do outro mundo. Claro que a sala, a pequena sala, de mesas dispostas em quadrado, com todos voltados para o interior, estava cheia, mentira, quase cheia, havia um lugar na ponta da sala... dirigi-me para lá e já todos estava a desenhar, rabiscar algo. Prontamente percebi qual era o exercício. Tínhamos que fazer os animais que passassem pela nossa cabeça. Utilizar a nossa memória visual para desenharmos os animais tal como os conhecemos. Ok, eu sabia que iriam chover desafios uns atrás dos outros, só assim faz sentido, pôr-nos a desenhar exaustivamente por memória é talvez dos melhores treinos que se pode ter.
Procurar os pequenos detalhes que fazem a diferença no animal escolhido. Eu desenhei hipopótamos, burros, pinguins, elefantes, girafas, macacos, etc...desenhei um jardim zoológico inteiro quase. A coisa no início tremeu um pouco, a mesa estava simplesmente imunda, forrada a carvão que alguém por lá passou e não limpou, resultado, as mãos limpinhas que tanto gosto de ter para não sujar nada era uma miragem. Fiquei logo todo sujo como as mãos de uma criança de 3 anos e borrei aí umas 5 folhas. Irritei-me, contidamente, levantei-me e fui lavar as mãos cirurgicamente no piso superior... Quando voltei, respirei fundo, forrei o apoio da mão com papel limpo e não-borrado e recomecei! Sim, começou muito melhor assim, fiz de conta que o princípio foi aquele...passados 30 minutos de ter entrado! Mas foi bom, concentrei-me só nos desenhos e não parei até ao fim! Lá pelo meio a rapariga do meu lado direito lá dizia umas piadas, e a voz não me era completamente estranha, depois olhei de soslaio e a cara não me era também estranha, foi então que perguntei: - Tu não és a I. ? - Sou! Eu bem sabia que te conhecia também!
Afinal estava sentado ao lado de uma pessoa conhecida, amiga de amigos comuns claro. Irra que o mundo é uma ervilha mesmo... tinha que ser mesmo ao lado! Engraçado, muito divertido mesmo, a partir daí fiquei apaixonado pelo porco-espinho que a I. tinha desenhado. Raios, também quero desenhar um porco-espinho assim! Estava mesmo giro. Depois deste primeiro exercício passámos a uma outra fase. Fazer os animais novamente mas o mais pequenino que conseguíssemos, simples, só com linha, e todos juntos uns nos outros como se tivesse encaixados, um Puzzle de Animais! - UAU, isto eu adoro fazer! ...pensei...A coisa foi melhorando significativamente, até o professor viu os desenhos e disse: - É mesmo isto! Pessoal, está aqui um bom exemplo! ...eheh fiquei logo contente e com vontade de fazer mais!

Este curso promete, eu estou muito entusiasmado com o facto de evoluir com pessoas do meio, que sabem e conhecem. Fico entusiasmado porque acredito no que faço, aqui eu estou mesmo no meu meio, um peixe dentro de água. Claro que tenho vontade de criar já. De mover personagens, de -los a contar uma história...mas tudo a seu tempo. É importante deixarmos alguns hábitos fora daqui, porque com eles não evoluímos tão rápido. E estou preparado para crescer também neste sentido, neste universo, que pode ser tão vasto como qualquer outro. Nada melhor do que imaginar, criar e ver acontecer. Um dia disse que gostava de ter a minha marca, não sei se falo da grande imortalidade que Milan Kundera nos seduz, mas qualquer coisa "in between" menos pronunciada mas igualmente lutadora. Um livro talvez... adorava publicar um livro, é um dos meus sonhos. Alguém me disse recentemente que é um sonho próximo, não sei se depende de querer ou não, não sei se depende da capacidade ou não, mas as palavras ouvidas reluziram e desenharam um sorriso. O início de qualquer coisa...

Ah, disseram que podíamos levar livros, mas estava estipulado uma ordem, claro que regras nasceram para serem quebradas e eu, como o exímio-rapaz-quebra-regras que sou, levei um livro só para chatear, ou melhor, enriquecer a aula. E foi isso mesmo que se passou, foi mais um livro entre os tantos, mas um livro que todos gostaram, tiraram o nome da autora, o professor gostou muito e ao que parece não conhecia aquele livro muito bem. O que é bom porque é mesmo a minha autora, até agora, favorita: Rebecca dautremer.

No fim da aula já tínhamos o típico T.P.C. que tantas saudades deixou do tempo de escola, e material para levar. Cartolinas de três cores, X-acto, cola de stick, e ideias! Esta última é pena, mas não se compra nas lojas... Quanto aos trabalhos foi completar o fizemos, fazer mais puzzles de animais e depois seleccionar um animal e fazer vários desenhos até encher um quadrado.

Não sei, mas julgo que a partir dos desenhos que fizermos vamos seguramente escolher um dos animais que será o personagem da história e depois desenvolvê-lo...-lo em várias situações, movimentos, etc...
Como diz o professor: "-O difícil não é fazer um desenho e uma personagem, o difícil é fazer uma história e produzir 10 desenhos com a personagem".

O meu TPC está em cima do texto...nem sei quantos animais diferentes consegui pôr...mas há repetidos... quase: Onde é que está o Wally?

sábado, outubro 11, 2008

O curso de Ilustração Infantil

Pois é...tudo começa, pois quando tudo começa, começa...mal! Começar por começar, o melhor é começar pelo princípio!

O Presente recente...

Este ano decidi que tinha que fazer algo que não a história do costume...Arquitectura, Arquitectura, Arquitectura...bem, a verdade é que eu acho que sempre fiz mais do que apenas Arquitectura, "apenas" digo eu, parece pouco algo que é tão vasto e toca tantos grupos de interesse que pode nunca acabar! Acho-me até muito contido na forma de abordar o tema, sobretudo com pessoas que simplesmente não nutrem a mesma paixão ou simplesmente não a vêem como motivo de interesse global. Mas ainda assim, acho que devia estender-me para outros sonhos, um-a-um, é um processo de continuidade como todos fazemos na vida, há coisas que vamos descobrindo que gostamos fazer, mais do que outras, mas simplesmente há coisas que sempre soubemos que poderíamos fazer na vida.

O Passado não tão recente assim...

Um dia lembro-me de ter esta conversa com o meu primeiro grande amigo o P. . Lembro-me de querermos ser Realizadores de Cinema, as conversas eram muito sonhadoras mas ao mesmo tempo sustentadas, sobretudo para duas pequenas almas de 10 anos apenas. Tínhamos os dois uma imensa paixão por cinema e pela arte de dirigir, enquadrar, criar. Longe do objectivo um dia decidimos fazer um clube de vídeo no Colégio e para isso levámos todos os filmes originais que tínhamos em casa. Eu não tinha assim tantas cassetes VHS mas o P. tinha tantas que rapidamente se tornou realidade. Começámos a nossa pequena negociata e a diversão foi mais que muita! Lembro-me de levarmos os filmes para o colégio e cobrarmos uma pequena insignificância, lembro-me que fizemos uns quantos alugueres e o clube funcionava bem, tínhamos cartões e tudo! Mas tudo o que é bom acaba depressa, e cedo perceberam que como o negócio corria bem tinham que acabar com a brincadeira. Fomos proibidos de continuar com o Clube que tanto gozo nos tinha dado! Mas assim e aos poucos a amizade foi ficando maior. Não sei se por acaso ou não, mas o certo é que as nossas cabeças saíam fora do baralho e as ideias foram sempre surgindo e estávamos sempre a criar jogos novos, a criar novas regras por exemplo, só para aumentar a dificuldade e o interesse...
(Ainda hoje se abrir um livro do liceu tenho animações nos cantos das páginas e era o primeiro a criar jogos enquanto estávamos nas aulas, era a distracção silenciosa).

O Passado mais recente mas também não tanto...

Os dois crescemos naturalmente e deixámos histórias pendentes, sonhos por concluir. Eu sempre adorei criar, imaginar e construir e tudo o que abarcasse estes mecanismos eu estava lá agarrado como um miúdo. Naturalmente que muita coisa se pode aplicar à vontade de criar, tendo o desejo por projectar espaços nascido da minha necessidade de imaginar tudo na cabeça e depois de comunicar essa imagem para o desenho, e seguidamente para uma maqueta. Esta disciplina obriga-nos a pensar em tanta coisa ao mesmo tempo que um esquisso tem que ser assim tão rápido, como um dedo no gatilho, não se pode perder um pensamento, eles têm que agir de comum acordo e sintonia: O cérebro e a mão. Tudo a fluir numa harmonia quase perfeita, uma simbiose, sujeita apenas ao critério espacial e imaginativo sem depender da falta de mecanicidade do binómio já referido.
Estes foram talvez os melhores anos da minha aprendizagem e os processo foram-se tornando mais integrados, concentrando-me apenas no essencial sem me preocupar tanto nesse ajuste de transição entre o pensar e o mostrar que pensaste. É aí que vive o desenho...

O Passado, o Presente e espero que o Futuro...

Os anos passam e parece que os sonhos voltam. Neste meu desejo contínuo por sonhar e depois tornar realidade acabei por aprender a também fazer sonhar, hoje acredito e sei que isso passa pela minha felicidade: Fazer sonhar. Aparecem continuamente pessoas que nos fazem querer sonhar mais e mais ainda, como o P. me fez sonhar, como M. apareceu para me fazer sonhar e sim, fazê-la sonhar. Juntos fiz o que só com P. tinha feito nos meus 28 anos, partilhar sonhos. A diferença é evidente. P. é um amigo e M. foi mais que uma amiga. Foram modos diferentes de partilhar mas com uma intensidade fora do comum sem dúvida, mas os dois insubstituíveis. Sei que estes são dois dos meus pilares, são os pilares da minha casa: Ser.

O Presente quase actualizado...

Aqui começa a outra história. Decorre de tudo o que se passou...
Inscrevi-me em Setembro para o Curso de Ilustração Infantil da ARCO que iria começar agora em Outubro, mais propriamente no dia 7. Andei o mês todo de Setembro com o rabo a tremelicar de ansiedade, por esta ou outra razão, mas o mês não acabava nunca mais e os dias começavam a travar, acordava sempre sobressaltado e dormia muito pouco. Queria rapidamente pensar em fazer coisas novas e esta era a grande oportunidade de me reconciliar com a diferença e o sonho.
O mês finalmente dobrou e começei a ver dia 7 cada vez mais de perto, começei a ver material específico, lápis de aguarela, uma nova série de lápis da Caran d´ache Luminance, papel; Na Arco tinham-me dito que as turmas eram estáveis, ou seja, podia contar com turmas de 12 a 15 pessoas seguramente.
A ânsia por conhecer pessoas novas e partilhar experiências similares fazem-me ficar assim, não dá para explicar melhor.

A trapalhada passada no dia 7...

Este era o dia. Na noite anterior sabia que tinha que ter tudo arrumado, neste dia tinha duas horas de curso a começar às 18:30 e depois um jogo de futebol às 21:00. Tinha um intervalo de tempo muito curto para sair, ir buscar o carro a pé do Castelo até ao Príncipe Real e ir até Benfica para jogar com amigos. Tudo isto misturado com a ânsia fazia com que tivesse que ser meticuloso com tudo. então preparei a mala com o equipamento necessário. Lápis, canetas, papel, aguarelas e depois do outro lado, calções, meias, ténis, T-shirt. O desastrado em pessoa não podia falhar nesse dia, mas ao que parece quanto mais organizado pior corre...
Fui trabalhar e quando chegou a hora , as 18:00, peguei no saco, peguei na carteira, no telemóvel e nas chaves do carro...mas onde estavam as chaves do carro? Sim, andei de rabo-para-o-ar à procura das ditas chaves e nada de aparecerem! Estava furioso, tinha mesmo que acontecer qualquer coisa depois de tantos preparativos e ansiedade! Fui ao Iseg com a M. só para confirmar se não as tinha lá deixado e nada! Chaves nem vê-las! Já eram 18:25 e decidimos apanhar um Taxi mesmo ali para o Castelo. Lá fomos na conversa e até chegámos rápido, estava atrasado só uns 15 minutos! Entrei disparado no pátio da Arco em frente ao Santiago Alquimista e perguntei onde era a sala onde decorria o Curso de Ilustração. Tinha que subir, e depois ou era a sala da Esquerda ou então tinha que continuar o corredor e virar à direita. Mas aquilo tem imensas salas portanto perder-me era o mais fácil. passados 5 minutos lá dei com uma sala cheia de gente. Para quem tinha dito 12 a 15 pessoas estavam o dobro dentro de uma salinha...ou seja eu além do atraso fiquei à porta. Engraçado porque há muitas pessoas mais novas que eu e poucas mais velhas, não muito mais velhas, vai ser interessante a experiência. Entretanto fiquei com sérias dúvidas se tinha entrado na sala correcta e com tantas pessoas a turma foi prontamente dividida em duas por terça e quarta-feira. Claro que tendo eu chegado atrasado não estava nem numa turma nem noutra! Aliás, eu nem sabia se estava no sítio certo, mas lá me virei para o lado e perguntei: Esta é a Turma de Ilustração? - Sim, sim. Passados 10 minutos: Mas é a de Ilustração Infantil certo? - sim, sim. Ok, afinal estava no sítio certo e eis que o professor me pergunta, enquanto eu estava noutro planeta, se tinha ficado em alguma turma, na de terça ou na de quarta... A minha reacção demorou mas lá respondi e fiquei igualmente na Terça-feira, tal como previsto...
A aula acabou pouco tempo depois, apenas o professor disse que não ia ensinar ninguém a desenhar, mas que ia potenciar cada um de nós, que íamos aprender noções básicas de paginação de um livro entre outras coisas. Ficou também combinado duas pessoas levarem um livro em cada aula, claro que eu já sei que livros vou levar, mas não fui sorteado para a próxima aula...
Raios...

Finalizada a aula a preocupação máxima foi retomar as buscas pela chave perdida. Conclusão, até hoje, chave nem vê-la! A futebolada com os amigos foi claramente relegada para segundo plano e só tive vontade de ir para casa descansar.

Presente mais presente não há...

O curso começa coxo e só arranca verdadeiramente nesta terça, portanto a ansiedade volta a apoderar-se de mim, combustível dos meus sonhos e também das minhas despassarices o certo é que a máquina funciona, sempre funcionou, e terça há-de voltar em grande.

quarta-feira, outubro 01, 2008

segunda-feira, setembro 29, 2008

borboletário ao fim...

O Borboletário de Lisboa no Museu das ciências está a passar uma fase complicada. Li há pouco tempo que estão a precisar de ajuda porque não têm como pôr o projecto a funcionar novamente. Precisam sempre de dois biólogos residentes mas não têm uma estrutura de apoio capaz, gerando alguma incerteza no futuro. Eu ainda não sei bem como poderei ajudar, foi uma das visitas que gostava de ter feito e fico com muita pena que exposições como esta se percam assim!
Existe um esforço enorme que merece ser acompanhado e reflectido. Aceitam-se voluntários também.

domingo, setembro 28, 2008

Uma aventura num casamento...

Bienne, por onde hei-de começar? Hum...curioso, pensava que este casamento ía ser uma coisa e acabou por ser outra completamente diferente! Ontem casou-se um dos meus melhores amigos, já foi o melhor amigo destacado, mas acontecimentos recentes levaram-no para 1º lugar mas em ex aequo! lol... Pouco importa, são todos bons amigos e isso é que conta! O casamento ía ser em Vila do conde...então lá fomos nós, os três estarolas, os três mosqueteiros, o trio Odemira...nós!
Custa perceber como é que pessoas com personalidades tão diferentes conseguem manter-se amigos durante anos a fio! Mas a fórmula resulta e cá nos mantemos unidos. Na sexta começou a combinação às tantas da noite feita por sms. A mensagem era simples, ter a casa do N. às 10:00 da manhã para irmos comprar o presente. Contentinhos e de presente na mão lá mandámos embrulhar algo e eis que o N. sugere que o presente devia ficar com a pega de fora e o papel a contornar. Asneira! pois, a asneira foi tal que o embrulho não durou a primeira "pegadela".
Lá nos desviámos para casa de cada um para nos pormos bonitos...ou tentar pelo menos!
Combinámos ao meio-dia..depois ao meio-dia e meio e depois ainda às 13:00...claro, chegámos todos atrasados e partimos eram 13.45!!! Segunda asneira...
A viagem correu relativamente bem, falámos de muitas coisas interessantes, desinteressantes, sobre o vazio também... ( eu meti propositadamente a colherada porque até há bem pouco tempo falaram-me de povos na Tunísia que conseguem manter uma conversa muito bem articulada sobre coisas aparentemente vagas e universais mas que nós, Ocidentais, já não pensamos...)
Muito bem, a conversa pegou e gerou um debate interessante sobre decorrências do tema...uuu
Spooky. Assim passaram-se Km, a ouvir músicas calmas, e outras bem menos, tudo pelo Dj M.
Com o N. ao volante chegámos a um ponto em que o carro começou a tremer por tudo o que era sítio. Parecíamos que estávamos dentro de uma máquina de lavar da Hoover das antigas que até saíam do lugar com tanto abanar!depois de algum chocalhar lá começámos a inventariar problemas. Bem, a primeira tentativa foi acusar o sr. que tinha feito a revisão e logo dissemos foi o turbo que ele andou a remendar!! Com tanta conversa, fizémos mais um Km... depois lembrámo-nos e pusemos o M. de cabeça de fora a 80 km/h para ver se era um furo numa roda...Bingo, era isso mesmo. A roda já andava torta. Mas mesmo assim fomos levando o carro devagarinho devagarinho, o N. insistiu que não parássemos e eu e o M. a dizer: Pára! Claro o inevitável aconteceu...FUMO!!! roda estava a queimar e deitava fumo e um cheiro a queimado. Ok. era hora de trocar o pneu! Fomos em busca da chave eespecial, mudámos os nosso lindos fatos por roupa de fim-de-semana e nada! Não conseguíamos tirar o Pneu nem por nada! Decidimos entrar no carro e ir até à próxima paragem de serviço que estava a poucos kms... Tínhamos passado a indicação dos 10 km uns minutos atrás..Não podia estar muito longe!!
mas a 50 km/h na auto estrada tudo fica longe! E com um pneu a fumegar intensamente e a largar um cheiro pestilento a borracha queimada indescritível não me parecia irmos muito longe...
Mas lá conseguimos...devagar como uma lesma mas lá achámos o caminho... parados, levantámos o carro novamente e tentámos, entretanto chamámos um carro da brisa para nos ajudar! Bem... Faltava 1 hora para o casamento começar já com a perspectiva do atraso normal... tudo parecia perdido. Pior, quando tirámos a roda, vimos que o amortecedor tinha desaparecido! desfez-se!!
UAU...andar com um pneu furado é mesmo má ideia e por pouco não nos aconteceu algo realmente estúpido e mau. Trocou-se o pneu e seguimos viagem..devagarinho, não tínhamos suspensão traseira, era como uma carroça do Faroeste! Mas sem cowboys ou dinheiro, o que nos tornaria numa diligência! Nada...Tudo a 0´s! Lá prosseguimos devagarinho e de repente as conversas sobre o Universo desapareceram e passámos a coisas tão básicas como: - chegamos ou não chegamos?- N. Tu é que tiveste a culpa! quiseste continuar. -Nós avisámos-te!! Tudo bons amigos a culpá-lo por tudo! eu avisei que éramos totalmente diferentes...
Depois de alguma discussão, e de irmos a 80km/h lá nos concentrámos por fazer uma boa média! Mas sem estragar a suspensão que já não existia! Mas tudo se compôs...conseguimos recuperar, sobretudo porque o casamento anterior se tinha atrasado uma hora!! Entrámos na Igreja como uns gloriosos ajudados pelo sr da Brisa ao qual ficamos eternamente agradecidos!
Mas a coisa ainda não tinha asneirado por completo...Há sempre mais surpresas...
Era suposto eu ler no missal, parte do Ofertório, eu supostamente levaria o Pão. Mas eu não tinha Pão! O atraso e probabilidade de não irmos ao casamento fez com que o que eu ía ler mudasse para a rapariga que me sucedia. Ou seja: ela lia duas vezes, a minha parte e a dela...
Quando chegou a altura eu não tinha nem pão nem juízo, mas segui em frente e enfrentei o Toiro, e coisa lá correu bem. Mas todos se riram, houve quem não desse conta, porque com tanta troca e baldroca consegui baralhar o esquema montado e o ofertório transformou-se no ponto máximo de desorganização do casamento! Bem o microfone estava à minha altura, como eram todas raparigas que me sucediam, elas não se fizeram ouvir...segunda barraca. Mas conta quem ouviu que a minha intervenção tinha corrido muito bem, que nunca tinham ouvido um arquitonto discursar assim. Fiquei honrado mas admito que tenha sido por manifesta solidariedade ao meu momento de desestabilização da missa. Mas que se riram, ah isso foi certinho!! Um número que não cobrei aos noivos...

Ah, depois foi o melhor... Fomos para um Hotel muito interessante onde se fez a continuação da festa, e onde iríamos ficar, supostamente, a dormir...
As conversas mantiveram-se, ficámos numa mesa onde se fez de tudo um pouco, como tirar o N. fora de si..o normal portanto. Bebeu-se mutio, contaram-se muitas histórias. Muitas delas de ficar agarrado à barriga a rir. Tramámos o Sr noivo...perdão, o sr casado já! E contámos os podres todos, nós, amigos, somos sempre uma fonte inesgotável de tragédias! A do fato de treino encarnado e a carapaça laranja foi o ex libris... só para quem sabe.
Depois o momento crucial! A dança do Ritual das formigas africanas pelo M. !!!
Quem viu o filme "can´t buy me love" dos anos 80 sabe do que falo...é talvez dos filmes teenagers mais emblemáticos da época. Não foi uma réplica, mas no conjunto aproximou-seaquela dança...muito selectiva e cheia de ritmo! Claro que incluiu a dança do "Fame" quando se ouviu " fame..i want to live forever...i wanna learn how to fly..Fame..." neste momento a pista ficou sem ninguém e o M. agigantou-se e lançou-se sem medos para cima da pista a dançar como no genérico da série Fame!!! Foi o momento alto da noite e de chorar a rir!! Os gestos eram iguais, e os vôos, apesar de mais curtos e pouco trabalhados, a barriga não perdoa, estavam lá. Genial... Dançou-se o mais que se pôde no fim...e ficaram os resistentes, não muitos, mas os suficientes para fazerem a festa até ao FIM, os clássicos todos foram dançados numa paródia incrível e foi sem dúvida um casamento para a desgraça! Carlos Paião, Doce, o típico...

O cansaço depois chegou e cada um remeteu-se ao silêncio dos seus quartos depois da palhaçada.

No outro dia acordámos e fomos passear por Leça da Palmeira, fomos ver a casa de chá do Siza. é muito bonita e confesso que nunca tinha lá ido! Ups... ai ai... é imperdoável esta mas tudo tem o seu tempo. Todos somos corrigíveis, é preciso é saber o que falta... saber o que nos falta.

Viemos a passo de caracol para Lisboa porque o carro ainda não estava bom, viemos a cantar músicas de desenhos animados e o, o clássico, Tom Sawyer completíssimo cantado por M., na perfeição. Trautear a música do Indiana Jones sem falhar um tom... as Músicas dos Gun´s and Roses de forma perfeita...sem erros. Percorremos bandas sonoras de filmes, a música do Top Gun, do West Side Story, etc...tudo muito completo e heterogénio. Cheio de emoções e todos ao rubro a cantar! A música do James Bond também correu particularmente bem...Não faltaram os clássicos destas cantorias, os desafinanços quando tinha que ser e a boa disposição ao longo da viagem... Engraçado, o reportório musical do M. é excelente não fosse ele ter uma excelente capacidade auditiva!

mas o melhor foram as conversas e as piruetas em vôo do M. Inesquecível..mais que não seja porque está tudo FILMADO!

o fígado e os nosso pulmões ficaram em Vila do conde...mandam-nos por correio para a semana.
Hoje parecíamos todos o Bryan Adams a Cantar...eheheh tal não foi a palhaçada.

Amizade e o Amor na mesma folha de papel.

Não falo mais. No outro dia ía pondo alguem a chorar com o que disse... estava inspirado

sábado, setembro 27, 2008

Um dia feliz para alguém muito especial...

Hoje parto para Norte. Sim, hoje é para cima, vou para estar na celebração de uma grande festa, o primeiro casamento de um amigo é para ser celebrado de arromba com tudo a que tem direito, tudo legal, claro! Hoje parto para junto dos meus amigos, os antigos, bons amigos, sempre serão...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Coisas de jornal...

Os dias começam cedo por aqui, hoje arrumei tudo e estava a pé, pronto para sair de casa às 8:00 da manhã, costumo pegar e ler o jornal com o sol pela frente, dar o bom dia ao corpo e à mente, neste sossego passo muitas vezes por uma esplanada, esta ou aquela, que me recebem sempre bem, uma com mais sol outra com menos, é certo, mas as duas disponíveis. A que mais gosto abre mais tarde mas oferece uma vista esplendorosa, uma vista de perder o olhar, de ver os sítios onde já estive, os lugares que sorri e entristeci, onde se vê fachadas e cunhais, a sombra e o vibrante.
É por estes dias que sumo cedo, leio o jornal comprado quase sempre no mesmo sítio e sento-me na percepção da expansão, no lugar dos sonhadores. Hoje li um jornal cheio de notícias amenas, como ontem, como sempre, acho que só leio as coisas boas, as outras dispenso, não quero, seleciono a vista do meu olhar, a do jornal, das páginas e artigos, como também seleciono a vista sobre a qual acordo. Que nem sempre é a mesma, hoje aqui, amanhã num outro lugar, são as minhas voltas, são as minhas certezas, estou certo que sei que amanhã posso já não estar aqui. No horizonte paira uma incerteza mas na minha vida as páginas não param.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Rumo ao Sul...

Nem a propósito. Durante estes dias peguei num livro emprestado pela minha tia do Miguel Sousa Tavares chamado ´SUL viagens´. O livro não podia começar melhor, com um poema da sua mãe, Sophia...

O livro contempla várias viagens feitas a Sul. Curioso, parece que quando queremos evadir caminhamos para sul, de encontro com o sol, de encontro com uma paz interior que se reflecte nas paisagens sulistas apenas. Cheira-me que estava mesmo a precisar deste livro e uma viagem também não era mal pensado! Confesso, não são sou um fã incondicional do Miguel Sousa Tavares, sobretudo pelas suas intervenções demasiado caseiras, mas pouco importa porque na verdade este livro trouxe muita surpresa e entusiasmou-me, só por isso, e já é bastante, tendo em conta a conjuntura de emoções ultimamente, vale muito! De todas as viagens houve umas quantas que pisquei o olho, a viagem a Granada e a visita ao Alhambra é uma das tais, que aqui é descrita em poucas páginas mas pouco importa, é uma viagem a fazer.
De outros locais adorei a viagem ao Sahara, que é apresentado como um diário de bordo, durante quase um mês, metidos por dunas de areia, estradas escavacadas, pó e cascalho, a comer latas de conserva e pouco mais (aqui as criações gastronómicas são divinais e de rir bastante). Só podia ser a última história porque é tão bem contada, e é bem contada porque não tem tretas, é o que é, sem pretensões, preconceitos literários, nada disso faria sentido também num diário de bordo, pois claro. As histórias do jipe UMM são de ler e reler, e muitas devem ter ficado por contar. Era uma das coisas que adorava fazer, pegar num jipe (ok, ter um jipe é fundamental, não tenho)
e alguns amigos, alguns têm mesmo que ser pegados porque de outra forma não funciona, tenho amigos demasiado racionais para tanta maluqueira, assim não dá. Bússola, isso, mas para mim não chega, tem que ser GPS com aviso sonoro e alguém que saiba mexer com o brinquedo que não eu, para não avariar na partida, mas assim também não chega, tenho que levar mapas cartografados como é descrito e aconselhado no livro! Sim, há um episódio fantástico em que um casal recém-casado nórdico anda a "passear" no meio de África a querer ir para sul mas a andar ao contrário, completamente perdidos, como um mapa da michelin...o amor é lindo, mas...tem limites! Pronto, pronto, eu percebo-vos, nórdicos malucos.
Outra história interessante remete-me para uma imagem do "Paciente Inglês", do Anthony Minghella com a sedutora e charmosa Juliette Binoche, em que o jipe do MST não sabe se está no trilho certo em que toda a caravana composta por 15 carros se perdem uns dos outros por completo, e ao cair da noite, percebem que estão perdidos e que vão ter que esperar no carro por ajuda. A história é singularmente interessante por ser verídica, aquele sentimento de estar perdido mas sem ter medo, com o céu como tecto, onde passam cometas e satélites, onde o crepúsculo não existe, deve ser arrasador de aventureiro que é, e no fim, passadas umas horas, lançar o sinal luminoso no céu vazio, um flare encarnado que perfura os céus a km de distância, na esperança que alguém o veja . Uau, passar assim uma noite no meio do deserto com uma boa companhia, a tal, deve ficar na memória e no baú das paixões de qualquer pessoa para sempre!
Mas no caso do Miguel Sousa Tavares a companhia não devia ser lá grande coisa, acho que era um co-piloto...
Acho que é preciso coragem para fazer uma reportagem assim, agarrar deixar a família, mulher e filhos para trás, e meter-se num jipe com uma silhueta angulosa,o típico forte-e-feio, a caminho do deserto e sobretudo de uma grande aventura e espírito de camaradagem.
Há uma mensagem curiosa que o M. deixa...é que aqueles que aparentam ser uns valentões são os primeiros a quebrar e os que pareciam que não valiam nada afinal eram os mais resistentes e corajosos. O meu pai contou-me algo semelhante sobre a sua passagem pela Guerra Colonial em Angola, os valentões são os primeiros a dobrar nos primeiros sinais de perigo e os franzinos os primeiros a arregassar as mangas, porque medo, medo todos têm.

Ontem finalizei este livro que se lê descontraídamente e em pouco tempo, e curiosamente, amanhã parto para o sul. Parto para o Alentejo logo às 9.00 da manhã. Parto para o sossego, para a paz, e espero, para os sorrisos. Amanhã é dia de uma boa almoçarada, de bons costumes alentejanos, de bom pão e queijo ainda melhor, de um bom vinho tinto em cima da mesa, de pó nas calças, nos ténis, e sonhos nas mãos.
É tempo de continuar a sonhar...

Acabo como o Livro começa...

Deriva

Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo biloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri

Sophia de Melo Breyer Andresen